sábado, 29 de setembro de 2012

"Meus secretos amigos" - Crónica de Paulo Sant'Ana


John George Brown (Durham, Inglaterra, 1831 – Nova Iorque, EUA, 1913)



Meus secretos amigos


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos! Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles… Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Essa mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles!

Eles não iriam acreditar! Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação dos meus amigos, mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não o declare e não os procure.

Às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles e me envergonho porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bemestar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamento sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer… Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos e, principalmente, os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus verdadeiros amigos!!!

A gente não faz amigos, reconhece-os!



Pintura de John George Brown 



John George Brown

John George Brown (Durham, Inglaterra, 11 de novembro, 1831 – Nova Iorque, EUA, 08 de fevereiro de 1913) foi um pintor retratista  inglês/americano. 
Filho de um advogado pobre, começou a trabalhar aos catorze anos como cortador de vidro,  em Newcastle-on-Tyne, Inglaterra, durante sete anos. John Brown estudava à noite com William Bell Scott na Escola de Design (1849-1852).
De 1852 a 1853 trabalhou na “Glass Works Holyrood”, em Edimburgo, Escócia, estudando à noite na Academia de Curadores, com Robert Scott Lauder.
 Em 1853, Brown passou o verão em Londres, onde pintou alguns retratos antes de emigrar para a América em 24 de setembro, chegando a Nova Iorque em seu vigésimo segundo aniversário. Instalou-se no Brooklyn com o intuito de encontrar trabalho na “Brooklyn Flint Glass Company”, onde ele impressionou um dos proprietários da empresa, William Owen, com sua habilidade. Durante este período, Brown assistiu às aulas gratuitas oferecidas na “Art Graham School” e, posteriormente, estudou com Thomas Seir Cummings na Academia Nacional de Desenho.
Em 1855, Brown casou-se com a filha de William Owen e com o apoio dele, abriu um estúdio como pintor de retratos.
Em 1859, Brown foi um dos membros fundadores da Sociedade de Arte do Brooklyn e, em 1861, membro fundador da Associação de Arte do Brooklyn. Mudou-se para Nova Iorque em 1861.
Brown começou  a expor na Academia Nacional em 1858, uma prática anual (à exceção de 1871) até sua morte. Foi eleito associado da Academia em 1861, membro de pleno direito em 1863, e serviu como seu vice-presidente de 1899 a 1904. Depois de dedicar-se às cenas de género (crianças de rua de Nova York) na década de 1860, ele logo se tornou famoso e rico, com muitas de suas pinturas reproduzidas comercialmente como cromolitografias ou reproduções fotográficas. Estas representações de crianças por Brown e outros artistas foram especialmente populares após a guerra civil, com um público para quem a criança simbolizava a inocência perdida e sua esperança no futuro do país. 
Em 1867 foi eleito um dos membros fundadores da Sociedade Americana de Aquarela e foi seu presidente de 1887 a 1904.
Brown e o negociante de arte, João Snedecor, viajaram para a Europa em 1870, visitando Londres e Paris. 
Morreu de pneumonia em Nova Iorque, em 08 de fevereiro de 1913.


Pintura de John George Brown


"Enquanto houver um louco, um poeta e um amante haverá sonho, amor e fantasia. E enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança." 

(William Shakespeare)


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

"Olhar e Sentir" - Poema de Júlio Pomar


Pablo Picasso, Garçon à la pipe, (Boy with a Pipe), 1905, Rose Period


Olhar e Sentir


Olhar e sentir 
por dentro do corpo a massa de que é feito o avesso dele. 
Ossos músculos nervos veias 
tudo o que está no corpo e mundo é 
a pintura contém e depõe na tela e 
se acaso aí o pintor deixou reservas 
nesse sem nada o avesso do mundo se 
recolhe e mostra a face. 


in "TRATAdoDITOeFEITO" 



Autorretrato, Pablo Picasso


Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso (Málaga, Espanha, 25 de outubro de 1881 — Mougins, França, 8 de abril de 1973), foi um pintor, escultor e desenhista espanhol, tendo também desenvolvido a poesia. 

Foi reconhecidamente um dos mestres da arte do século XX. É considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo, tendo criado milhares de trabalhos, não somente pinturas, mas também esculturas e cerâmica, usando, enfim, todos os tipos de materiais. Ele também é conhecido como sendo o co-fundador do Cubismo, junto com Georges Braque.

Após iniciar como estudante de arte em Madrid, Picasso fez sua primeira viagem a Paris (1900), a capital artística da Europa. Lá morou com Max Jacob (jornalista e poeta), que o ajudou com a língua francesa. Max dormia de noite e Picasso durante o dia, ele costumava trabalhar à noite. Foi um período de extrema pobreza, frio e desespero. Muitos de seus desenhos tiveram que ser utilizados como material combustível para o aquecimento do quarto. 

Em 1901 com Soler, um amigo, funda uma revista Arte Joven, na cidade de Madrid. O primeiro número é todo ilustrado por ele. Foi a partir dessa data que Picasso passou a assinar os seus trabalhos simplesmente “Picasso”, anteriormente assinava “Pablo Ruiz y Picasso”. 

Na fase azul (1901 a 1905), Picasso pintou a solidão, a morte e o abandono. Quando se apaixonou por Fernande Olivier, suas pinturas mudaram de azul para rosa, inaugurando a fase rosa (1905 - 1906). Trabalhava durante a noite até o amanhecer. Em Paris, Picasso conheceu um selecto grupo de amigos célebres nos bairros de Montmartre e Montparnasse: André Breton, Guillaume Apollinaire e a escritora Gertrude Stein

Na fase rosa há abundância de tons de rosa e vermelho, caracterizada pela presença de acrobatas, dançarinos, arlequins, artistas de circo, o mundo do circo. No verão de 1906, durante uma estada em Andorra, sua obra entrou em uma nova fase marcada pela influência das artes gregas, ibérica e africana, era o protocubismo, o antecedente do cubismo. O célebre retrato de Gertrude Stein (1905 - 1906) revela um tratamento do rosto em forma de máscara. 

Em 1912, Picasso realizou sua primeira colagem, colou nas telas pedaços de jornais, papéis, tecidos, embalagens de cigarros. 

Apaixonou-se por Olga Koklova, uma bailarina. Casaram-se em 12 de julho de 1918. Neste período o artista já se tornara conhecido e era um artista da sociedade. Quando Olga engravidou, criou uma série de pinturas de mães com filhos. 


Picasso, Death of the Toreador, 1933


Entre o começo e o fim da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), dedica-se também à escultura, gravação e cerâmica. Como gravador, domina as diversas técnicas: água-forte, água-tinta, ponta-seca, litogravura e gravura sobre linóleo colorido. Além disso, sua dedicação à arte escultórica era esporádica. Cabeça de Búfalo, Metamorfose é um grande exemplo de seu trabalho com esse meio. É considerado um dos pioneiros em realizar esculturas a partir de junção de diferentes materiais. 
Em 1943, Picasso conhece a pintora Françoise Gilot e tem dois filhos, Claude e Paloma e encontrou um pouco de paz e pintou Alegria de Viver. 


Pablo Picasso - Alegria de Viver


Em 1968, aos 87 anos, produziu em sete meses uma série de 347 gravuras recuperando os temas da juventude: o circo, as touradas, o teatro, as situações eróticas. Anos mais tarde, uma operação da próstata e da vesícula, além da visão deficiente, põe fim às suas actividades. Como uma honra especial a ele, no seu 90.º aniversário, são comemorados com exposição na grande galeria do Museu do Louvre. Torna-se assim o primeiro artista vivo a expor os seus trabalhos no famoso museu francês. Pablo Picasso morreu a 8 de abril de 1973 em Mougins, França, com 91 anos de idade. Encontra-se sepultado no Castelo de Vauvenargues, Aix-en-Provence, Provença-Alpes-Costa Azul, sul de França.



Pablo Picasso - Still Life with Lamp - 1944


Citações 
de 
Pablo Picasso
Picasso


"A inspiração existe, mas tem que te encontrar trabalhando." 

(Cambio 16: Edições 884-887, Informacion y Publicaciones, S. A., 1988)


Picasso



"Não se consegue convencer um rato de que um gato pode trazer boa sorte". 


Picasso



"Não se pode criar nada sem solidão". 

(Citado em Punta Europa: Volume 2, Edições 18-24 - página 154, Vicente Marrero Suárez - 1957)




Picasso


"A qualidade de um pintor depende da quantidade de passado que traz consigo." 



Picasso



"Paul Cézenne é o pai de todos nós". 

(Fonte: Site do UOL, num artigo referente aos 100 da morte de Cézanne, publicado no dia 26 de Janeiro de 2006.)



Picasso


"Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças."

(Pablo Picasso citado em "Quando a Psicoterapia Trava - Página 69, Marina da Costa Manso Vasconcellos, Grupo Editorial Summus, 2007,)



Picasso



"A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade."



Picasso


"A pintura nunca é prosa. É poesia que se escreve com versos de rima plástica."


Picasso


"Pinto as coisas como as imagino e não como as vejo."



Picasso


"Uma ideia é um ponto de partida e nada mais. Logo que se começa a elaborá-la, é transformada pelo pensamento."



http://onlinepicassoraisonne.com/pabloruizpicasso.html


"O que já fiz não me interessa. Só penso no que ainda não fiz."



Picasso


A Walk in the Forest - Brian Crain

sábado, 22 de setembro de 2012

"Reconciliação" - Poema de Johann Wolfgang von Goethe


Giuseppe Molteni (1800-1867), A Confissão, 1838 (Gallerie di Piazza Scala, Milão)



Reconciliação 


A paixão traz a dor! — Quem é que acalma 
Coração em angústia que sofreu perda tal? 
As horas fugidias — para onde é que voaram? 
O que há de mais belo em vão te coube em sorte! 
Turbado está o espírito, o agir emaranhado; 
O mundo sublime — como foge aos sentidos! 

Mas eis, com asas de anjo, surge a música, 
Entrelaça aos milhões os sons aos sons 
Pra varar, lado a lado, a alma humana 
E de todo a afogar em eterna beleza: 
Marejado o olhar, na mais alta saudade 
Sente o preço divino dos sons e o das lágrimas. 

E assim aliviado, nota em breve o coração 
Que vive ainda e pulsa e quer pulsar, 
Pra ofertar-se de vontade própria e livre 
De pura gratidão pela dádiva magnânima. 
Sentiu-se então — oh! pudesse durar sempre! — 
A ventura dobrada da música e do amor. 


Johann Wolfgang von Goethe,
in "Últimos Poemas do Amor, de Deus e do Mundo"



Johann Wolfgang  von Goethe em 1811


Johann Wolfgang von Goethe nasceu de uma família nobre em  Frankfurt am Main,  em 1749, e morreu em  Weimar, em 1832. 
Foi um escritor alemão e pensador que também fez incursões pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX
De sua vasta produção fazem parte: romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais. Além disso, sua correspondência epistolar com pensadores e personalidades da época é grande fonte de pesquisa e análise de seu pensamento. 
Tendo recebido uma educação multifacetada nos primeiros anos da sua vida, estudou Direito em Leipzig a partir de 1765. São dessa época as suas primeiras obras poéticas (canções e odes) e também o auto pastoril Caprichos do Apaixonado, que reflete o seu amor por Käthchen Schönkopf, filha de um estalajadeiro.
Doença grave obriga-o a regressar a Frankfurt em 1768, mas pouco depois retoma em Estrasburgo os seus estudos universitários, que completa em 1771. Influenciado pelo escritor e filósofo alemão Johann G. Herder (1744-1803), Goethe volta-se para o irracionalismo do movimento literário e artístico designado por Sturm und Drang, evidenciando especial interesse pela poesia popular, pelos poetas da Antiguidade (Homero, Píndaro, Ossian) e pela obra poética do dramaturgo inglês William Shakespeare (1554-1616), assim como pelo estudo da arte gótica. São dessa época os ensaios Shakespeare (1771) e Da Arte Alemã (1773).
Os seus amores pela filha do pároco de Sessenhein (Alsácia) foram a origem das poesias líricas Canção de Maio, Boas-Vindas e Despedida.
Também a ligação amorosa de Goethe com Charlotte Buff, noiva do secretário da embaixada, inspira poesias líricas, como Prometeu, Ganimedes e Cântico de Maomet; são também dessa época os poemas dramáticos Goetz von Berlichingen, Deuses, Heróis e Wieland, o poema épico O Judeu Errante, o poema dramático Clavigo (1774) e o romance epistolar e sentimental Os Sofrimentos do Jovem Werther, que é um espelho dos amores de Goethe com Charlotte Buff e que, em breve, alcança renome internacional.
A viagem à Suíça com os condes de Stolberg ocasiona o seu encontro com Carlos Augusto, o duque de Weimar, que convida Goethe para a sua corte, onde, a partir de 1776, passa a desempenhar as funções de conselheiro, e mais tarde, as de ministro de Estado.
Das relações de amizade que então trava com Charlotte von Stein, sete anos mais velha do que ele, e da influência poderosa que dela recebe no sentido do seu amadurecimento espiritual são prova as suas próximas obras, que incluem dramas para o teatro de amadores e os poemas líricos Ilmenau, Viagem de Inverno ao Harz, Cântico dos Espíritos sobre as Águas, A minha Deusa, O Cantor, À Lua, a versão em prosa de Ifigénia (1779) e o começo do romance Wilhelm Meister.
Nos anos de 1779 e 1780 acompanha o duque Carlos Augusto na segunda viagem à Suíça, de que nasceram as Cartas da Suíça.
No outono de 1786 inicia a sua viagem à Itália, com estadia longa em Roma e uma deslocação à Sicília. Durante dois anos trava contacto aturado com a arte antiga e a arte italiana, o que provoca a sua atenção especial e o seu interesse definitivo pelo Classicismo, onde ressaltavam as ideias da humanidade e o esforço pela harmonia. O período fecundo que sucedeu à sua viagem à Itália foi marcado pelo aparecimento das seguintes obras: versão em verso da tragédia Ifigénia (1787); Egmont (1788), uma das suas melhores obras dramáticas; o drama psicológico Tasso, que tanto tem de autobiográfico, e o Fausto - Um Fragmento (1890).
Goethe estabelece-se então em Weimar, dispensado já do exercício de funções públicas, com exceção da direção de instituições artísticas e científicas.
Goethe mantém uma ligação amorosa com Cristiane Vulpius ao longo de vários anos, durante os quais publica, com reflexos dessa ligação, Idílios Romanos (1795) e Epigramas Venezianos.
Em 1794 anuncia em público, em Jena, a sua amizade com Friedrich Schiller (1759-1805) e a colaboração estreita entre os dois poetas, de modo especial quanto à criação de um teatro nacional e a assuntos de grande interesse para a literatura. Publica, em 1796, o romance didático Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister, a que se seguem a epopeia idílica, em verso, Hermann e Dorothea (1797) e a tragédia Filha Natural (1803). Entretanto, permanentemente estimulado por Schiller, dá seguimento aos trabalhos relativos à continuação do Fausto. Em 1806 casa com Cristiane Vulpius e, em 1809, publica Afinidades Eletivas, em que descreve, na personagem Ofélia, a sua bem-amada Minna Herzlieb, à qual se refere também nos Sonetos publicados, mais tarde, em 1815.
Começa então a preocupação de Goethe pela sua própria evolução biográfica e espiritual, e publica A Minha Vida, Ficção e Verdade e Viagem à Itália em 1814.
Como resultado da sua viagem ao Reno e ao Meno, aparece em 1814-15 a coletânea lírica O Divã Ocidental e Oriental.
Em 1821 publica a primeira parte de Anos de Peregrinação de Wilhelm Meister, que, com os elementos líricos, novelísticos e aforísticos que enriquecem esta obra, representa o trabalho que o homem, nas suas próprias limitações, realiza para a comunidade, e constitui o tema principal da segunda parte da grande obra da idade avançada do poeta, o Segundo Fausto, que viria a ser publicado em 1832, ano da sua morte.
A última inclinação amorosa de Goethe, já no 74.° ano da sua vida, pela jovem de 19 anos Ulrike von Levetzow não foi correspondida, circunstância a que se alude na Trilogia da Paixão, publicada em 1827.
Goethe passa os últimos anos da sua vida a reexaminar e ordenar as suas obras.
Escritor de admirável elegância de estilo e de grande poder imaginativo, além de ser um pensador profundo, Goethe abraçou um vasto conjunto de conhecimentos e de interesses humanos.
Para a Alemanha, que nos séculos XVI e XVII não tinha ainda beneficiado do movimento da Renascença, Goethe constituiu, sozinho, uma Renascença completa. Para o resto do mundo foi um dos génios mais ricos e poderosos da Humanidade.
Morreu em Weimar, com 83 anos, aureolado pela admiração universal.

J. W. Goethe. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-09-22].



Galeria de Giuseppe Molteni
Giuseppe Molteni (Affori, Milan, 1800 – Milan, 1867) foi um pintor italiano.

Giuseppe Molteni, Retrato de Alessandro Manzoni 


Giuseppe Molteni, La Signora di Monza


Giuseppe Molteni, Retrato de Giovanni Migliara, 1929 (Parma)



Brian Crain - Vento


"Oração para antes do estudo" - de Fernando Echevarría


Pavel Fedotov (1815 – 1852, Russian), The Children Zherbinyh



"Oração para antes do estudo" 


Dai-nos, Senhor, um coração humilde.
A inteligência de aceitar agora 
que só a si o estudo se ilumine 
e nele se esqueça o estudante. A cópia 
do que estudarmos em nós viva, a fim de 
que apenas o estudado seja porta. 
E luz aberta por onde entrem livres 
aqueles cuja alegria é obra 
de compenetração que, sem limites, 
se entrega. Fica com seu dentro fora. 
Ilumina, Senhor, a inteligência de ir-se 
esquecendo cada qual no que se mostra.


Fernando Echevarría,
do livro "Epifanias" Assírio & Alvim, 2006, p. 7

(Fernando Ferreira Echevarría, nascido a 26-2-1929 em Cabezón de la Sal, Santander, Espanha, filho de pai português e mãe espanhola, é um poeta espanhol de origem portuguesa. Veio para Portugal ainda muito novo, tendo cursado Humanidades em Portugal, e Filosofia e Teologia em Espanha. Optou pela carreira docente, primeiro no Porto e depois, já exilado em Paris, onde passou a residir desde meados de 1966, após ter estado em Argel entre 1963-1966.) 



Pavel Fedotov, Nadezhna Petrovna Zhdanovich


Pavel Fedotov, M.P.Zhdanovich


Pavel Fedotov, Pequeno-almoço de um aristocrata


Pavel Fedotov, Jovem viúva, 1851





Pavel Fedotov Andreyevich (1815-1852) foi um pintor russo. Fedotov era um oficial da Guarda imperial de São Petersburgo. Como muitos de seus colegas na época, ele estava interessado em artes.Tocou flauta e frequentou aulas à noite na Academia de Belas Artes. Como estudante, não foi particularmente notável e, ainda no Exército, ganhou reputação como pintor pelos seus retratos de dirigentes e cenas de regimento. Apesar de ter uma carreira notável no exército, Fedotov aposentou-se em 1844 para se dedicar exclusivamente à pintura. 
Suas obras, como o "Recém-decorado", "Noiva difícil 'e' Guest extemporâneo" estavam cheias de sátira e crítica em torno da ordem política e social da época. O seu trabalho foi reconhecido como uma nova palavra em arte, nas exposições de 1849 e 1850 em São Petersburgo e trouxe o sucesso ao pintor prometendo-lhe prosperidade e, portanto, a possibilidade de continuar o seu trabalho.
Fedotov produziu, provavelmente, as melhores obras imbuídos de um sentimento de tristeza desesperada crescendo gradualmente até atingir seu clímax no" Encore, Encore!", "Jogadores", e "Jovem viúva".
Infelizmente seus laços estreitos com o grupo de Petrachévski, social-democrata que foi a julgamento, fez dele um alvo de perseguição do governo. Fedotov foi esmagado pela maré reacionária.
Tinha apenas 37 anos quando morreu numa clínica mental, depois de um longo período de sofrimento emocional e mental.


Pavel Fedotov, Noiva difícil


"A vida é a infância de nossa imortalidade." 

(Johann Wolfgang von Goethe)

sábado, 15 de setembro de 2012

"Cai amplo o frio" - Poema de Fernando Pessoa


Adolf Gottlieb (American, 1903–1974), Sentinel (1951)



Cai amplo o frio 


Cai amplo o frio e eu durmo na tardança
De adormecer.
Sou, sem lar, nem conforto, nem esperança,
Nem desejo de os ter. 

E um choro por meu ser me inunda
A imaginação.
Saudade vaga, anónima, profunda,
Náusea da indecisão. 

Frio do Inverno duro, não te tira
Agasalho ou amor.
Dentro em meus ossos teu tremor delira.
Cessa, seja eu quem for! 


Fernando Pessoa, 
19-1-1931



Vida e Obra de Adolph Gottlieb
Adolph Gottlieb in his studio, ca.1942.


Adolph Gottlieb (Nova Iorque, 1903-1974) foi um pintor do expressionismo abstrato e escultor americano.
Aos 17 anos entrou na Liga de Estudantes de Arte de Nova Iorque. Depois disso Adolph viajou à Alemanha e França por um ano. Em Paris ele estudou na Academia da Grande Chaumière. Ao retornar, ele tornou-se um conhecido artista e professor em Nova Iorque. Graças às suas obras, Adolph Gottlieb é conhecido como um importante pintor do expressionismo abstrato.



Adolph Gottlieb (standing) and his parents


Adolph and Esther Gottlieb, New York 1932


Adolph and Esther Gottlieb, Provincetown ca. 1949


Adolph and Esther Gottlieb, East Hampton studio, 1973


Adolph Gottlieb, Self Portrait, 1928


Adolph Gottlieb, Green, Ochre, Maroon, 1969


Adolph Gottlieb, Garden 5024


Adolph Gottlieb, Orange Oval, 1972


Adolph Gottlieb, Man Looking at Woman, 1949


Adolph Gottlieb, The Alchemist, 1945


Adolph Gottlieb, pictograph, 1948


Adolph Gottlieb, Evil Omen, 1946


Adolph Gottlieb, Two Discs, 1963



"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto." 


(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

"Mektoub" - Poema de Al Berto


Brian Whelan, Miracle of the holy house of walsingham



mektoub


a luminosidade é uma placa de zinco suspensa 
do céu do deserto 

em redor 
a imensidão das areias vibra contra o caos 
de pedra e de eufórbios que se multiplicam 
a perder de vista 

o bafo inquieto dos cavalos acende 
a pólvora das festas inesperadas 

uma coruja morre 
no cimo açucarado da tamareira 

caminhas 
sitiada pelo canto agudo do muezzin 
chamando à oração 

mektoub 

sítios onde a vida cessou e tudo está escrito 
há séculos – onde o coração dos homens 
é uma rosa nómada e calcária 

no limite da escassa água e desta terra seca 
mal abençoada – caminhas 
na plana noite das ardósias 
nas jeiras de súplicas e recolhimento onde 
talvez se esconda 
o contorno quase terno do rosto de deus


Al Berto


Galeria de Brian Whelan
Brian Whelan


Brian Francis Whelan, filho de pais católicos irlandeses (seu pai veio de Dublin e sua mãe de Kilkenny), nasceu no dia 3 de maio de 1957 em Ealing, em Londres. Brian Whelan vive com sua esposa, Wendy Roseberry e trabalha no Reino Unido, EUA, Espanha e Irlanda.
Brian Whelan frequentou a Academia Real de Arte em Londres. Durante os anos de sua formação, estudou com o artista britânico Roderic Barrett e foi orientado pelo artista australiano Arthur Boyd.
Na sua jornada artística, Brian Whelan encontrou a  porta de entrada  nas igrejas medievais e habitações de East Anglia, Inglaterra. Além de pintar temas religiosos, Whelan também pinta Londres - a cidade de seu nascimento - usando multi-perspectivas e escalas contraditórias. Como um "pintor visionário", as suas obras religiosas foram mostradas ao lado de Stanley SpencerHowson Pedro , os irmãos Chapman, Gill Eric e Marc Chagall. Sua série 'Cidade Sagrada' de pinturas que celebram a diversidade religiosa, estão expostas em locais sagrados em todo o mundo (Walsingham no Reino Unido, Santiago de Compostela  em Espanha e Czestochowa, na Polónia).


Brian Whelan, in Studio


Brian Whelan, Black Cat


Brian Whelan, Fine Girl You Are


Brian Whelan, The Bear O'Shea


Brian Whelan, Last Orders


Brian Whelan, Paradise lost


Brian Whelan, Brendan and the star of the sea


Brian Whelan, Edmund in battle


Brian Whelan, Angel and Dodo


Brian Whelan, Mystery of the Message


Brian Whelan, Spirit of the Field


Brian Whelan, Working with the grain



“Não tema a perfeição – você nunca irá atingi-la.”

(Salvador Dali)



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