segunda-feira, 12 de junho de 2017

"Dá-me a festa mágica" - Poema de Pablo Neruda



Dá-me a festa mágica


DEUS - e de onde é que tiras para acender o céu
este maravilhoso entardecer de cobre?
Por ele soube encontrar de novo a alegria,
e a má visão eu soube torná-la mais nobre.

Nas chamas coloridas de amarelo e verde
iluminou-se a lâmpada de um outro sol
que fez rachar azuis as planícies do Oeste
e verteu nas montanhas suas fontes e rios.

Deus, dá-me a festa mágica na minha vida,
dá-me os teus fogos para iluminar a terra,
deixa em meu coração tua lâmpada acendida
para que eu seja o óleo de tua luz suprema.

E eu irei pelos campos na noite estrelada
com os braços abertos e a face desnuda,
cantando árias ingénuas com as mesmas palavras
com que na noite falam os campos e a lua.


Tradução de José Eduardo Degrazia




Antonio Vivald, 'The four seasons - Winter', Julia Fischer



“Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar.”




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